LINGUÍSTICA TEXTUAL: COESÃO E COERÊNCIA


Leia o fragmento a seguir:

 

A cidade de São Paulo, embora encontre-se nos patamares mais elevados de desenvolvimento econômico do país, assistiu, na última década juntamente com o Estado, à deterioração de alguns indicadores de qualidade de vida. O recente relatório sobre o índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), realizado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), parece sugerir que o antigo modelo de metrópole industrial, que marcou a ascensão da “locomotiva” paulista, tem sido atingido pela mudança nos parâmetros econômicos ocorrida não apenas internamente mas também em escala global.

(Fonte: Folha de São Paulo, 5 de outubro de 2003)

 

 

No texto sublinhado, observe a expressão “embora” que articula as duas afirmações:

 

1ª A cidade de São Paulo encontra-se nos patamares mais elevados de desenvolvimento econômico do país.

2ª A cidade de São Paulo assistiu, na última década juntamente com o Estado, à deterioração de alguns indicadores de qualidade de vida.

 

Analisando a expressão “embora” é possível perceber qual afirmação é mais defendida pelo enunciador. Sendo assim, sobre os efeitos da estratégia argumentativa ocasionada pelo “embora”, pode-se dizer que ele

 


constitui-se em uma estratégia de suspense, para que as duas afirmações prevaleçam.


estabelece um efeito nulo entre as afirmativas, para que nenhuma afirmação prevaleça.


aumenta a força argumentativa da primeira afirmação, para que esta prevaleça.


atenua a força argumentativa da primeira afirmação, para que a segunda prevaleça.


atenua a força argumentativa da segunda afirmação, para que a primeira prevaleça.

Analise o trecho a seguir:

 

A copa de futebol é um evento mundial. Os eventos mundiais promovem a união de todas as nações. As nações interagem a partir de um único objetivo. Esse objetivo é a conquista do status de melhor futebol do mundo.

 

A estrutura textual da progressão temática do trecho apresentado constitui-se como:

 


Progressão o salto temático (quando há omissão de um segmento intermediário da cadeia de progressão temática, deduzível facilmente do contexto).


Progressão temática linear (quando o rema de um enunciado passa a tema do enunciado seguinte. O rema deste é tema do seguinte, e assim sucessivamente).

 


Progressão temática com tema variado (quando, de um hipertema, se derivam temas parciais).


Progressão temática por desenvolvimento de partes de um rema subdividido (desenvolvimento das partes de um rema superordenado).


Progressão temática com um tema constante (quando a um mesmo tema são acrescentadas, em cada enunciado, novas informações remáticas).

O texto a seguir faz referência à variedade linguística presente na Língua Portuguesa. Leia-o com atenção para responder ao que se pede.

 

“A variação é inerente às línguas, porque as sociedades são divididas em grupos: há os mais jovens e os mais velhos, os que habitam numa região ou outra, os que têm esta ou aquela profissão, os que são de uma ou outra classe social e assim por diante. O uso de determinada variedade linguística serve para marcar a inclusão num desses grupos, dá uma identidade para os seus membros. Aprendemos a distinguir a variação. Quando alguém começa a falar, sabemos se é de São Paulo, gaúcho, carioca ou português. Sabemos que certas expressões pertencem à fala dos mais jovens, que determinadas formas se usam em situação informal, mas não em ocasiões formais. Saber uma língua é ser “poliglota” em sua própria língua. Saber português não é só aprender regras que só existem numa língua artificial usada pela escola. As variações não são fáceis ou bonitas, erradas ou certas, deselegantes ou elegantes, são simplesmente diferentes. Como as línguas são variáveis, elas mudam.”

 

FIORIN, José Luiz. Os Aldrovandos Cantagalos e o preconceito linguístico. In: O direito à fala. A questão do preconceito linguístico. Florianópolis. Editora Insular, pp. 27, 28, 2002.

 

Sabemos que muitas vezes as pessoas são discriminadas por não usarem a variante formal/culta da língua. Isso acontece também na sala de aula. Qual deve ser a postura do professor de língua materna em relação a esse preconceito na sala de aula?

 

Assinale a alternativa que melhor responde a essa pergunta.

 


Deve privilegiar a gramática normativa, pois o ensino da norma culta é importante para garantir ao aluno a capacidade de lidar com as situações comunicativas do cotidiano.


Deve partir do uso da gramática teórica que servirá de apoio para o aluno e que deve ser objeto de ensino nas atividades de sala de aula.


Deve privilegiar a variedade da língua usada pelas pessoas ditas escolarizadas, uma vez que esta é a variante cobrada nas diversas situações comunicativas.


Deve mostrar ao aluno que tanto a variante que ele trouxe da casa quanto a variante culta estão certas, mas cada uma delas será adequada em determinadas situações de comunicação.


Deve ensinar que a única forma aceitável de uso da língua é o da forma culta, mesmo sabendo que a língua varia de acordo com o espaço, o nível cultural e a situação do indivíduo.

Analise o trecho a seguir:

 

“A universidade é um espaço de reflexão. A reflexão é fundamental ao desenvolvimento cognitivo do ser humano. O ser humano deve evoluir sempre.”

 

A estrutura textual da progressão temática do trecho apresentado constitui-se como:

 


Progressão temática com tema variado (quando, de um hipertema, se derivam temas parciais).


Progressão com salto temático (quando há omissão de um segmento intermediário da cadeia de progressão temática, deduzível facilmente do contexto).


Progressão temática por desenvolvimento de partes de um rema subdividido (desenvolvimento das partes de um rema superordenado).


Progressão temática linear (quando o rema de um enunciado passa a tema do enunciado seguinte. O rema deste é tema do seguinte, e assim sucessivamente).


Progressão temática com um tema constante (quando a um mesmo tema são acrescentadas, em cada enunciado, novas informações remáticas.

Os índices de polifonia são as vozes que se encontram no texto além da do autor ou do narrador. Existem várias formas linguísticas que funcionam como índice de polifonia como alguns operadores argumentativos (como ao contrário e pelo contrário); marcadores de pressuposição como continua; o futuro do pretérito como metáfora temporal; o uso de aspas; o discurso indireto livre e a ironia.

 

Com base nesse estudo, analise, atentamente, o fragmento, a seguir, extraído do romance Vidas Secas, de Graciliano Ramos.

 

      O soldado magrinho, enfezadinho, tremia. E Fabiano tinha vontade de levantar o facão de novo. Tinha vontade, mas os músculos afrouxavam. Realmente não quisera matar um cristão: procedera como quando, a montar bravo, evitava galhos e espinhos. Ignorava os movimentos que fazia na sela. Alguma coisa o empurrava para a direita ou para a esquerda. Era essa coisa que ia partindo a cabeça do amarelo. Se ele tivesse demorado um minuto, Fabiano seria um cabra valente não demorara. A certeza do perigo surgira – e ele estava indeciso, de olho arregalado, respirando com dificuldade, um espanto verdadeiro no rosto barbudo coberto de suor, o cabo do facão mal seguro entre os dois dedos úmidos.

      Tinha medo e repetia que estava em perigo, mas isso lhe pareceu tão absurdo que se pôs a rir. Medo daquilo? Nunca vira uma pessoa tremer assim. Cachorro. Ele não era dunga na cidade? Não pisava os pés dos matutos, na feira? Não bota a gente na cadeia? Sem vergonha, mofino. (RAMOS, 1971, p.144-45).

 

(Fonte: RAMOS, Graciliano. Vidas Secas. São Paulo: Martins, 1971).

 

Pode-se afirmar que no trecho sublinhado há os seguintes índices de polifonia:

 


Discurso indireto livre e ironia.


Verbo no futuro do pretérito e citação direta.


Ironia e citação direta.


Marcador de pressuposição “continua” e discurso indireto livre.


Uso de aspas e citação direta.

Segundo Ducrot, uma classe argumentativa é constituída de um conjunto de enunciados que podem igualmente servir de argumento para uma mesma conclusão ou posição (P). De outra forma, uma escala argumentativa ocorre quando dois ou mais enunciados apresentam gradação de força crescente no sentido dessa conclusão ou posição (P).

 

Agora, leia atentamente, o enunciado a seguir:

 

“As iniciativas que pretendem armar a população são criticadas por educadores, por cientistas e até mesmo pelo papa.”

 

Em relação ao enunciado, pode-se afirmar que houve:

 


Escala argumentativa com elementos que constituem operadores que contrapõem argumentos orientados para conclusões contrárias.


Escala argumentativa com argumento mais forte assinalado e orientado no sentido de determinada conclusão.


Escala argumentativa com estabelecimento de relações de comparação entre os elementos, com vistas a uma determinada posição.


Escala argumentativa de negação com argumento mais forte orientado no sentido de determinada conclusão.


Escala argumentativa que somam argumentos a favor de uma mesma posição, com introdução de uma justificativa desfavorável.

Sabendo que Nádia Battella Gotlib é autora da biografia Clarice: uma vida que se conta, leia o trecho,  a seguir, do artigo de Modelli.

 

A estrangeira

 

Apesar de ser ucraniana e de ter morado 15 anos da vida adulta no exterior por ter sido casada com um diplomata, Clarice (1º) se considerava pernambucana. Seu nome de batismo era Haia Pinkhasovna Lispector, mas adotou somente Clarice (2º) Lispector e se naturalizou brasileira. Um olhar "estrangeiro", contudo, tem sido a principal característica usada para descrever sua obra.

 

"Atribuímos essa característica independente dela ser uma estrangeira", explica Rosenbaum. "O estrangeiro em Clarice (3º) se trata de um olhar de quem estranha o mundo até nas coisas mais familiares. A sua relação com o mundo é sempre de um ponto de vista de estranheza, de surpresa, do mesmo modo como um estrangeiro olha para um lugar novo".

 

Como uma estrangeira, Gotlib explica que a escritora não se sentia pertencente e encaixada nas relações sociais usuais, como as relações familiares e amorosas, temas estes frequentes em seus livros.

 

"Desde seu primeiro romance, Clarice (4º) centra sua atenção no registro de labirintos da intimidade de suas personagens, atenta a detalhes patentes na vida cotidiana, como nos laços de família e em experiências mais complexas, como o amor, a paixão, o ódio, a amizade, a inveja", explica a biógrafa.

 

(MODELLI, Lais. Clarice Lispector: mais de 40 anos após morte, escritora desperta mais questões do que quando viva. Disponível em: . Acesso em: 18 dez. 2018.)

 

 

 

Obs. Apenas para ajudar na análise linguística, todas as palavras "Clarice" foram enumeradas no texto.

 

Com base nos textos de leitura obrigatória e na análise do trecho, avalie as afirmativas a seguir, colocando V para Verdadeira e F para Falsa:

 

( ) A expressão "Clarice" (1º) é forma remissiva anafórica do referente "A estrangeira" (do título).

( ) A expressão “a escritora” é forma remissiva anafórica do referente “Clarice” (3º).

( ) A expressão “a biógrafa” é forma remissiva anafórica do referente “Clarice” (4º).

( ) A expressão “a biógrafa” é forma remissiva anafórica do referente “Gotlib”.

( ) A expressão “temas estes” é forma remissiva anafórica do referente “relações familiares e amorosas”.

 

Assinale a alternativa que contém a sequência correta:


V, V, V, V, V


F, F, F, F, V


V, V, F, V, V


V, V, V, F, F


F, V, V, V, V

Leia o texto a seguir:

  

A bacia hidrográfica é usualmente definida como a área na qual ocorre a captação de água (drenagem) para um rio principal e seus afluentes devido às suas características geográficas e topográficas e é constituída por vários elementos. Os divisores de água são cristas das elevações que separam a drenagem de uma e outra bacia. Os fundos de vale são áreas adjacentes a rios ou córregos e que geralmente sofrem inundações. As sub-bacias caracterizam-se por serem bacias menores, geralmente de alguma afluente do rio principal. As nascentes são o local onde a água subterrânea brota para a superfície formando um corpo d’água. As áreas de descarga são lugares onde a água escapa para a superfície do terreno, vazão. A recarga é o local onde a água penetra no solo recarregando o lençol freático, e, finalmente, os perfis hidrogeoquímicos ou hidroquímicos são características da água subterrânea no espaço litológico.

 

(Fonte: Adaptado de InfoEscola, Bacias hidrográficas. Disponível em: . Acesso em: agosto de 2015.)

  

Na sequenciação frástica, a progressão temática assume vital importância na sequenciação do texto. Nesse sentido, “o tema constitui o tópico, aquilo que é dado, conhecido, e o rema, o comentário, aquilo que se acrescenta ao tema, fazendo o texto progredir” (MARTINS, p.86). 

 

Baseando-se nesse estudo, analise as expressões “bacia hidrográfica”, “divisores de água”, “fundo de vale”, “sub-bacias”, “nascentes”, “áreas de descarga”, “recarga” e “perfis hidrogeoquímicos ou hidroquímicos” no texto apresentado e avalie as afirmativas a seguir.

 

Assinale a única afirmativa CORRETA:

 


As expressões possibilitam a progressão textual pelo desenvolvimento de partes de um rema subdividido.


Por meio das expressões, percebemos uma progressão temática linear, pois o rema de um enunciado passa a ser tema do enunciado seguinte. O rema deste é tema do seguinte e assim sucessivamente.


Ao analisar essas expressões, percebemos que os temas são variados, ou seja, que são temas parciais que se derivam do hipertema “Bacia hidrográfica”. Esses temas parciais são partes do hipertema.


As expressões mostram um salto temático, configurando a omissão de um segmento intermediário da cadeia de progressão temática que é facilmente deduzível no contexto.


A expressão “bacia hidrográfica” é retomada pelas expressões “divisores de água”, “fundo de vale”, “sub-bacias”, “nascentes”, “áreas de descarga”, “recarga” e “perfis hidrogeoquímicos ou hidroquímicos”, assim vemos que para um mesmo tema são acrescentadas, em cada enunciado, novas informações remáticas.

Leia o trecho, a seguir, extraído da canção “Bala perdida”, de Gabriel o Pensador:

 

Bala perdida

             Gabriel o Pensador

Bom dia, mulher
Me beija, me abraça, me passa o café
E me deseja "Boa sorte"
Que seja o que Deus quiser
Porque eu tô indo pro trabalho com medo da morte
Nessas horas eu queria ter um carro-forte
Pra poder sair de casa de cabeça erguida
E não ser encontrado por uma bala perdida
Querida, eu sei que você me ama
Mas agora não reclama, eu tenho que ir
Não se esqueça de botar as crianças debaixo da cama na hora de dormir
Fica longe da janela e não abre essa porta, não importa o motivo
Por favor, meu amor, eu não quero encontrar você morta [...]”

(Fonte: PENSADOR, Gabriel o. Bala perdida. Disponível em: . Acesso em: 12 abr. 2018.)

 

 

Sabemos que vocativo "é um termo da oração – palavra ou expressão, que põe em destaque a pessoa ou coisa a quem se dirige a palavra. É um termo isolado dentro da oração, ou seja, não faz parte nem do sujeito nem do predicado. É usado para chamar pelo nome, apelido ou característica, o ser com quem se fala". (SIGNIFICADOS, 2018, p.1).

 

Entendendo que as expressões “mulher” e “querida”, na canção, são vocativos, podemos considerar que:

 


são dêiticos, isto é, palavras ou expressões que, não tendo um valor referencial próprio, remetem para a situação concreta de comunicação em que é produzido o texto.


são elementos catafóricos, pois têm papel fórico na superfície textual, remetendo a elementos que vêm posteriormente, haja vista sua semântica.


são elementos dêixis, haja vista que nada tem a ver com superfície textual, exercendo o caráter anafórico da linguagem.


são dêiticos, pois exercem o papel fórico, uma vez que retomam um referente já introduzido na superfície textual, num processo catafórico.


são dêiticos, isto é, estratégias preferenciais de referenciação, porque retomam referentes anafóricos constantes na superfície textual.

No trecho a seguir, é possível perceber problemas relacionados à coesão, ou seja, a ligação entre as frases não é bem feita, devido ao alto grau de repetição de um mesmo termo. Observe:

 

No último verão, minha família e eu fomos passar as férias em Arraial D’Ajuda. Arraial D’Ajuda fica no litoral da Bahia. Em Arraial D’Ajuda, minha família e eu ficamos hospedados num condomínio, em frente ao “Eco Park”. O “Eco Park” é um parque aquático sensacional! As praias de Arraial D’Ajuda são muito lindas.

 

Leia as afirmativas a seguir e verifique quais apresentam soluções, do ponto de vista gramatical e da coerência, para evitar a repetição, fazendo com que o texto fique mais coeso e coerente.

 

I) Para evitar a repetição, poderíamos substituir “minha família e eu”, na terceira frase, por nós.

 

II) A expressão “Eco Park”, que aparece pela segunda vez, poderia ser substituída por o qual, sendo escrita da seguinte maneira: (...) em frente ao “Eco Park”, o qual é um parque aquático sensacional!”.

 

III) Para evitarmos a repetição de Arraial D’Ajuda, na segunda frase, poderíamos substituí-lo por este país.

 

IV) A primeira e a segunda frases podem ser transformadas em uma só, utilizando-se um elemento de ligação, como por exemplo: “No último verão, minha família e eu fomos passar as férias em Arraial D’Ajuda, que fica no litoral da Bahia.”.

 

V) A última frase pode ser reescrita da seguinte maneira: “As praias de  são muito lindas.

 

 

As afirmativas corretas estão contidas apenas em:

 


I, II e III


I, II, IV e V


IV e V


I, II, III, IV e V


I e II

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