INTRODUÇÃO AOS ESTUDOS LINGUÍSTICOS


A organização do ensino/aprendizagem e a metodologia usada pelo professor é que vai facilitar o acesso ao conhecimento, seja ele teórico ou das habilidades a serem desenvolvidas.

 

De acordo com o que você estudou no capítulo 2 “Concepções de linguagem e o ensino da língua materna, analise as afirmativas a seguir.

 

I - Nesta concepção de linguagem como ação e interação, a preocupação básica do ensino da língua materna é levar o aluno não apenas ao conhecimento da gramática, mas ao desenvolvimento da capacidade de refletir criticamente sobre o mundo que o cerca e, principalmente sobre a utilização da língua como instrumento de interação social. 

II – A gramática de uso é uma abordagem que oportuniza  atividades  que  levam os alunos a utilizarem os recursos linguísticos em frases, mas principalmente em parágrafos e em textos completos, tanto na oralidade, quanto na escrita, considerando tanto a produção, quanto a compreensão. 

III – A concepção da linguagem como expressão do pensamento baseia-se no estudo gramatical normativo ou tradicional por acreditar que ele contrói a forma lógica de pensar (regras) e também defende que saber língua é saber teoria gramatical.

IV – Na linguagem como interação, os sujeitos são vistos como agentes sociais, pois é por meio de diálogos entre os indivíduos que ocorrem as trocas de experiências e conhecimentos. 

 

Estão corretas as afirmativas

 


I, II e IV
I,III e IV
I,II, III e IV
II, III e IV
I e IV

Chafe (1985 apud MARTINS, 2011) apresenta algumas categorias de diferenças entre a escrita e a fala. Considerando esse estudo, avalie as afirmativas a seguir, considerando as corretas.

 

 I. Expressões como “de qualquer forma” e “agora, quando” possibilitam ao falante controlar o fluxo de informações, mediante a rapidez com que  elas  são expressas.

 

 II. A quantidade de informação expressa na fala possibilita ao interlocutor compreender confortavelmente seu conteúdo, retendo-o na memória de curto prazo, por tempo determinado, o que não ocorre na escrita.

 

 III. A escrita é mais conservadora, enquanto a fala é mais inovadora. Um aspecto inovador da fala constitui-se nas mudanças lexicais e gramaticais que transformam a língua ao longo do tempo.

 

 IV. Diferentemente da fala, a escrita não é realizada face a face. Assim, o interlocutor-escritor tem um tempo maior e mais flexível para a elaboração de seus pensamentos, o que lhe possibilita a articulação de uma maior variedade e quantidade de informações, de forma deliberada.

 

 Assinale a alternativa que contém as afirmativas CORRETAS

 

 


I e II
I, II, III e IV
I e IV
II e IV
III e IV

Observe os textos, a seguir, considerando-se que um é exemplo de oralidade e o outro, de escrita.

 

 Texto 1 

... bem ... eu vou falar sobre uma cidade que se chama Espírito Santo... ela se localiza próximo a Goianinha... nessa região Oeste... é uma cidadezinha pequenininha... poucos habitantes... mas já ela tem:: ela chama muito atenção... tem muitos pontos turísticos... é uma cidade onde cativa... ela ficou no meu coração... a sua entrada chama:: a rua onde:: é a entrada da cidade chama-se Bela Vista... essa cidadezinha:: ela tem os pontos turísticos que é um rio e uma cachoeira... possui duas pracinhas... uma delas é situada na parte central... é chamada Rua da Matriz... essa rua da Matriz é onde os casais se encontra... muito movimentada... é onde:: se concentra todo o movimento.

(CUNHA, 1998, informante 3, p. 80)

 

 Texto 2

 A cidade do Espírito Santo está localizada entre Goianinha e Várzea, próxima a Natal. Nessa cidade temos diversos pontos turísticos, um deles é uma pequena cachoeira e uma barragem. A entrada dessa cidade é estreita e a rua se chama Bela Vista. Na rua da matriz, temos uma pracinha onde os namorados se encontram e nela todo ano acontece uma festa tradicional. Lá aparecem pessoas de diversas cidades para comemorar a existência de sua própria padroeira.

(Adaptado de CUNHA, 1998, informante 3, p. 91-2)

 

 A partir dos estudos realizados sobre as diferenças e a importância da modalidade oral e escrita em nosso cotidiano, analise as afirmações a seguir.

 

 I) Os dois textos tratam do mesmo assunto; porém, o texto 1 é um exemplo de modalidade oral e o texto 2, de escrita. Isso pode ser percebido pela estruturação de cada um no que se refere às repetições, atos de fala incompletos, pausas, refacção de frases, que são características da fala e podem ser observadas no primeiro texto.

 

 II) O texto 2 é mais importante do que o texto 1, pois possui menos erros gramaticais, não apresenta repetições e as frases são completas. Além disso, o que importa é falar e escrever bem, sem se preocupar com o contexto, pois, independente disso, só será valorizada a pessoa que se utiliza da linguagem culta.

 

 III) O texto 1 e o texto 2 possuem suas diferenças, mas ambos são inteligíveis, tendo em vista que o que importa é utilizarmos a linguagem formal, quando necessário. Há situações que não exigem tanta preocupação com essa formalidade.

 

 IV) O texto 1 não é inteligível, uma vez que não conseguimos entender a mensagem que o falante quer passar. Isso ocorre devido às repetições, atos de fala incompletos, pausas, refacção de frases.

 

 V) Apesar das repetições, atos de fala incompletos, pausas, refacção de frases, é possível entender o que está sendo dito pelo falante, no texto 1, sobre a cidade Espírito Santo, pela qual ele demonstra grande afeto. Isso pode ser percebido pelo uso de palavras no diminutivo: cidadezinha, pequenininha e pela declaração que faz: “ela ficou no meu coração”.

 

 São corretas APENAS as afirmações

 

 


I e II.
II, III e IV.
I, III e V.
III e V.
I, II e III.

Assinale a alternativa correta:

(Questão adaptada de: http://portuguafacil.blogspot.com/2009/01/linguagem-verbal-no-verbal-e-sincrtica.html)

 

São exemplos de linguagem não verbal:

 


apitos e discursos políticos.
cantigas infantis.
sinais de trânsito e uma conversa informal entre alunos e professores.
cores das bandeiras e dos semáforos.
discursos políticos.

Considerando o que aprendeu sobre linguagem verbal e linguagem não verbal, a única afirmativa que não está em consonância com os conceitos vistos é:


O nosso aluno deve ser levado a perceber os diferentes suportes de comunicação e a dominar os diferentes usos da linguagem.          
Quando falamos ou escrevemos, estamos lançando mão do código da linguagem verbal.       
O código da linguagem não verbal pode ser o som, os gestos, a imagem.        
O seu futuro papel de professor é, principalmente, agir como mediador dos conhecimentos a serem construídos pelo seu aluno.
A linguagem não verbal, devido às suas características, não permite a mesma riqueza e profundidade a que se pode chegar na leitura da linguagem verbal. 

    Quando falamos em leitura e interpretação de textos  é importante lembrar que a produção de sentidos de um texto está ligada ao seu contexto de interação, ou seja, na relação entre autor e leitor.  Esses sentidos atribuídos ao texto resultam de uma retomada de conhecimentos prévios e de valores que são ativados no momento da leitura. A inferência possui um papel essencial na compreensão dos textos, pois consistem em “[...] processos cognitivos nos quais os falantes ou ouvintes, partindo da informação textual e considerando o respectivo contexto, constroem uma nova representação semântica” (MARCUSCHI, 2008, p. 249)

 

 

 Leia os textos a seguir para responder à questão.

 

 

Texto 1

Isto

Dizem que finjo ou minto

Tudo que escrevo. Não.

Eu simplesmente sinto

Com a imaginação.

Não uso o coração.

Fernando Pessoa

 

Texto 2

         E o trabalho, este nosso trabalho de escrever? Meu Deus, como às vezes chega a ser sórdido! Aquele riscar, aquela grosseria do texto primitivo, aquele tatear atrás da palavra desejada e, ainda pior, da combinação de palavras desejada! A guacherie do que sai escrito – tanta beleza que a gente sonhou, depois de posta no papel como ficou inexpressiva, barata e normal! Já dizia tão bem o velho Bilac: “A palavra pesada abafa a ideia leve! – e não é mesmo?

Rachel de Queiroz

Gaucherie – falta de jeito. Do francês gauche: esquerdo; canhoto.

 

 

 A leitura dos dois textos permitem afirmar que:

 

 

 


os autores realçam a importância  de se revelar os sentimentos reais vividos e sentidos pelo escritor em seu coração.
o sentimento de desapontamento é comum, segundo Rachel de Queiroz, pois o texto produzido não corresponde à luta empregada em sua produção.      
o poeta, segundo Fernando Pessoa, deve demonstrar os sentimentos como hipotéticos, embora sejam reais. 
o poeta, para Fernando Pessoa, deve buscar o sentimento no coração e reproduzi-lo de forma mais intensa do que ele realmente é. 
há diferença visível entre a escrita idealizada e a escrita realizada, na visão de Rachel de Queiroz, pois sempre a idealizada sofre correções para que os sentimentos pareçam reais, o que torna melhor.

O texto abaixo é uma crônica escrita por Stanislaw Ponte Preta na década de 60. Leia-o com atenção para responder ao que se pede.

 A garota-propaganda, coitadinha!

    Já passava das oito horas da manhã e a garota-propaganda dormia gostosamente sobre o seu colchão de Vulcaspuma, macio e confortável, que não enruga nem encolhe, facilmente removível e lavável. Foi quando o relógio despertador começou a tilintar irritantemente (Você nunca dará corda num Mido).

    A pobrezinha, que tivera de aguentar a cantada de um patrocinador de programa (Agência Galo de Ouro — quem não anuncia se esconde) que prometera um cachê melhor, caso ela ficasse efetiva na programação, levantou-se meio tonta. Fora dormir inda agorinha. Estremunhada, entrou no banheiro, colocou pasta de dentes na escova e pôs-se a escovar com força. Ah... que agradável sensação de bem-estar!

    Depois do banho, abriu a cortina do box, que parece linho mas é linholene, e foi até a cozinha tomar um copo de leite. Tinha que estar pronta em seguida para decorar páginas e páginas de texto que apanhara na véspera, no departamento comercial da televisão. Abriu a geladeira de sete pés, toda impermeável, com muito mais espaço interior e que você pode adquirir dando a sua velha de entrada (a sua velha geladeira, naturalmente). Dentro não havia leite: — Não faz mal — pensou (Tudo que se faz com leite, com Pulvolaque se faz).

    O diabo é que também não tinha Pulvolaque. Procurou no armário uma lata daquele outro que se dissolve sem bater, mas também não achou. Tomou então um cafezinho mesmo e correu ao quarto para se vestir e arrumar o cômodo o mais depressa possível. Iria à cidade apanhar os textos de uma outra agência que precisavam ser decorados até as três, além disso tinha que almoçar com um diretor de TV, a quem fingia aceitar a corte para poder ser escalada nos programas.

    Arrumou as coisas assim na base do mais ou menos. Fechou o sofá-cama, um lindo móvel que ocupa muito menos espaço em sua residência, e procurou o vestido verde que comprara no Credifácil, onde você adquire agora e só começará a pagar muito depois. O vestido não estava no armário. Lembrou-se então que o deixara na véspera dentro da pia, embebido na água com Rinso, e o diabo é que o vestido, como ficou dito, era verde. Se fosse branco, depois ficaria explicado por que a roupa dela é muito mais branca do que a minha.

    Eram onze e meia quando chegou à cidade, graças à carona que pegara. Saltou da camioneta com tração dianteira e muito mais resistente, fez todas as coisas que precisava fazer numa velocidade espantosa e entregou-se ao suplício de almoçar com o diretor de TV.

    Ali estão os dois, escolhendo o menu. Ele pediu massa e perguntou se ela também queria (Aimoré você conhece — pensou ela), mas preferiu outra coisa. Garota-propaganda não pode engordar. Comeu rapidamente e aceitou o copo de leite que o garçom sugeriu. Afinal, não o tomara pela manhã. Foi botar na boca e ver logo que era leite em pó, em pó, em pó...

    Às três horas o programa das donas de casa. Às quatro, o teleteste que distribui brindes para você. De cinco às oito, decorar outros textos, de oito e meia às dez, tome de sorriso na frente da câmera, a jurar que a liquidação anunciada era uma ma-ra-vi-lha. Aceite o meu conselho e vá verificar pessoalmente. Mas note bem. É só até o dia 30.

    Quase meia-noite e ela tendo de dançar com “seu” Pereira, do Espetáculo Biscoiteste. Um velho chato, mas muito bonzinho. O diabo era aquele perfume que saía do cangote de seu par. Um perfume inebriante, que deixa saudade.

    Já eram quase três da matina quando ela voltou para o seu apartamento com sala, quarto, banheiro, box, copa, quitinete e área interna, tudo conjugado, que comprara dando apenas trinta por cento na entrada e começando a pagar as prestações na entrega das chaves. Finalmente, vai poder dormir um pouquinho.

    E, aos pés do sofá-cama, faz a oração da noite: “Padre Nosso, que estais no Céu, muito obrigada pela atenção dispensada e até amanhã, quando voltaremos com novas atrações. Boa noite”.

 

PONTE PRETA, Stanislay. Dois amigos e um chato. São Paulo: Moderna, 1988

 

A compreensão do texto fica comprometida por não conhecermos as propagandas e os produtos a que o autor faz referência e que eram bastante conhecidos na década de 60. Sendo assim, temos um problema de coerência relativo: 

 


ao contexto situacional e aos elementos linguísticos que compõem a superfície do texto.
ao conhecimento linguístico que compõem o texto e ao conhecimento partilhado que não são comuns ao produtor e ao interlocutor
aos fatores de contextualização e de focalização, pois o texto não possui um direcionamento que leva à interpretação
ao conhecimento de mundo e as pistas linguísticas presentes no texto.
ao contexto situacional e ao conhecimento comum entre produtor e interlocutor.

Koch considera que a coesão e a coerência são atributos fundamentais do texto, pois desempenham um papel decisivo para a construção de sentidos.

O texto “O padeiro” de Rubem Braga está desordenado. Identifique a ordem em que os trechos devem aparecer, para que constitua um texto coeso e coerente.

IV - Tomo o meu café com pão dormido, que não é tão ruim assim. E enquanto tomo café vou me lembrando de um homem que conheci antigamente. Quando vinha deixar o pão à porta do apartamento ele apertava a campainha, mas, para não incomodar os moradores, avisava gritando:

         – Não é ninguém, é o padeiro! (1º)

I - Ele abriu um sorriso largo. Explicou que aprendera aquilo de ouvido. Muitas vezes lhe acontecera bater a campainha de uma casa e ser atendido por uma empregada ou outra pessoa qualquer, e ouvir uma voz que vinha lá de dentro perguntando quem era; e ouvir a pessoa que o atendera dizer para dentro: “não é ninguém, não senhora, é o padeiro”. (3º)

III - Assim ficará sabendo que não era ninguém…

Ele me contou isso sem mágoa nenhuma, e se despediu ainda sorrindo. (4º)

 II - Interroguei-o uma vez: como tivera a ideia de gritar aquilo? Então você não é ninguém? (2º)

 Assinale a alternativa que contém a sequência correta.

 

 


II, I, IV, III
IV, II, I, III
I, III, IV, II
IV, I, III, II
III, IV, II, I

Sobre a coerência textual, é incorreto afirmar:

 

 

 

 


A não contradição, a ausência de redundâncias  e o princípio da relevância são elementos básicos que garantem a coerência textual.
Por serem os sentidos elementos subjetivos, podemos dizer que a coerência não pode ser delimitada, pois o leitor é o responsável pela constituição dos significados do texto.
A coerência textual dispensa o uso adequado dos conectivos, elementos que apenas colaboram para a estruturação do texto sem apresentar relação direta com a semântica textual.
A coerência é subjacente  e não está na superfície textual. Compreender aquilo que está escrito dependerá dos níveis de interação entre o leitor, o autor e o texto. Por esse motivo, um mesmo texto pode apresentar múltiplas interpretações.
A coerência é uma harmonia  entre fatos ou ideias, própria daquilo que tem ligação, conexão, portanto, podemos associá-la ao processo de construção de sentidos do texto e à articulação das ideias. 

No decorrer da história a linguagem tem sido concebida de diferentes formas. De acordo com o que você estudou sobre este assunto, numere a 2ª coluna de acordo com a 1ª.

 

1 – Linguagem como expressão do pensamento.

 

2 – Linguagem como instrumento de comunicação.

 

3 – Linguagem como processo de ação e interação. 

 

 

 

(    ) Nesta concepção o sujeito da linguagem, assim como as condições de produção do discurso, o ambiente social e histórico, as relações de sentido estabelecidas entre os interlocutores, a argumentação e a intenção estão no centro de suas reflexões.

 

(   ) A principal função desta concepção de linguagem é a transmissão de informações, e seus estudos ficam restritos ao processo interno de organização do código, que privilegia o aspecto material da língua em detrimento do conteúdo e da significação e dos elementos extralinguísticos que constituem as situações de comunicação.

 

(    ) Nesta concepção a linguagem é vista como a tradução do pensamento e tem como princípio o ensino da uma gramática normativa em que o conceito de certo e errado é fundamental para a distinção do ser falante.

 

 (   ) A linguagem é vista como uma forma de interação o que leva a um ensino mais eficaz. Sendo assim, o aluno tem um aprendizado mais ativo aprendendo a discernir as diversas utilizações da língua e o seu uso adequado nas mais variadas situações comunicativas.

 

 (    ) Aqui a norma culta é vista apenas como uma das variantes da língua, uma possibilidade a mais de uso e não exclusivamente como o único uso  correto do ponto de vista linguístico e nem a única linguagem representante de uma cultura.

 

 

 A sequência correta está contida em

 

 


2,2,1,3,3
1,3,3,2,1
3,3,1,3,3
3,2,1,3,3
2,3,1,3,3
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