TEORIAS E ESCRITA DA HISTÓRIA


O historiador Roger Chartier é um dos principais expoentes da História Cultural francesa, inovando as análises culturais a partir da elaboração das noções de “práticas” e “representações”. Sobre a importância desses conceitos para o estudo da cultura popular, pode-se afirmar que:


As práticas culturais permitem ao historiador analisar uma determinada realidade social que se dá por meio das representações, que são uma construção feita a partir do real.


As práticas e representações culturais são o conjunto de atitudes e códigos de comportamentos próprios das classes subalternas num certo período histórico.


As representações permitem uma melhor análise das estruturas materialistas, que são construídas a partir de práticas reais que opõem as classes erudita e popular.


A noção de representação pressupõe a realidade em si das práticas sociais e culturais que determinam os conflitos de classes e a tirania do social.


As práticas e representações evidenciam uma nova forma de se interpretar as mentalidades em determinado contexto social.

Leia atentamente o trecho abaixo:

(...) foram determinantes para se pensar as mulheres como protagonistas da análise histórica (...). (AFONSO, 2011, p. 82)

O trecho se refere aos seguintes movimentos:


Historicista e Feminista.


Positivista e Marxista.


Marxista e Nova História.


Marxista e Escola dos Annales.


Feminista e Nova História.

Segundo o estudo de Philippe Ariès, a infância começa a ser descoberta na Europa como uma idade específica da vida a partir dos séculos XVI e XVII. Nesse contexto se dá a descoberta do "sentimento da infância" e a afirmação da criança como uma construção social.

Alguns aspectos contribuíram para essa mudança da concepção da infância, dos quais destacam-se:

I - A criança passa a ser vista na sua individualidade, ou seja, o seu modo de ser específico, bem diferente do mundo do adulto.

II - Entre a população mais pobre as crianças passaram a se diferenciar dos adultos no modo de vestir, ao passo que entre as famílias nobres a criança ainda era vestida como um adulto em miniatura.

III - As brincadeiras e jogos passaram a identificar cada vez mais a infância, tornando-se uma atividade do cotidiano das crianças.

IV - A instrução escolar ficava a cargo somente das famílias, de modo que a infância se limitava a curto período para que a criança se tornasse um adulto cada vez mais cedo.

As afirmativas corretas são:


I, III e IV apenas.


I, II e III apenas.


I, II, III e IV.


II e IV apenas.


I e III apenas.

Sabe-se que o positivismo privilegiou os acontecimentos de curta duração, como, por exemplo, as grandes batalhas. Em combate ao positivismo, os Annales privilegiaram a ideia de longa duração. Em relação a essa última, é CORRETO afirmar que se trata de uma história:


Do estudo do tempo linear, factual, explicando a história por uma longa sequência de acontecimentos.


Dos grandes acontecimentos de longa duração, como a Guerra dos Cem anos.


Das eras glaciais que marcaram profundas modificações nas sociedades humanas.


De períodos históricos mais alargados e estruturas que se modificam de maneira mais lenta.


Das religiões que, pelo seu próprio caráter, perduram ao longo do tempo.

A chamada primeira geração dos Annales tem como característica um dos pressupostos abaixo. Assinale a alternativa que apresenta corretamente tal pressuposto:


A defesa de uma história econômica e narrativa.


A defesa de uma história em série e narrativa.


A defesa de uma história que privilegia a curta duração dos acontecimentos.


A defesa de uma história total e plural dos homens e das civilizações.


A defesa de uma história política e local.

O positivismo entende a realidade como algo objetivo, considerando apenas alguns homens como sujeitos históricos. A história é objetiva e determinada, não havendo possibilidade de transformação. Nesse sentido, na visão positivista, os sujeitos históricos são: 


Heróis, estadistas e pessoas de destaque político.
 


Operários, comerciantes e industriais.


Trabalhadores, diplomatas e reis.


Mulheres, negros e índios.
 


Operários, escravos e desempregados.

"Tão objetiva é a História para os positivistas que um de seus maiores ensinamentos é a busca incessante de fatos históricos e sua comprovação empírica." De acordo com essa frase, pode-se inferir que a compreensão da História para os positivistas está embasada no fato do(a):


diversidade da natureza de fontes históricas.
 


domínio de outros saberes, tais como a arqueologia e a arquivologia.
 


tempo histórico em que vive o historiador, que irá dar vida aos fatos.
 


perfeita observação dos documentos e não de sua análise.
 


análise, por parte do historiador, do corpus documental.
 

“O historiador não se preocupa em buscar a verdade absoluta, porque é impossível que o passado se repita integralmente. O acontecimento passado não pode ser recuperado, o que o autor nos transmite é a sua visão desse acontecimento, pois, em cada época o homem possui códigos específicos para dar sentido à sua vida a tudo que o cerca”. (DANTAS, 2006, p. 26) De acordo com o texto acima, pode-se concluir que o ofício do historiador consiste em:


Compilar as informações contidas nos documentos e ser fiel a elas.


Reescrever os acontecimentos do passado tais como ocorreram de fato.


Interpretar os fatos históricos, através de questionamentos e pesquisa documental.


Estabelecer verdades absolutas sobre acontecimentos do passado.


Analisar e interpretar somente os registros oficiais do governo.

A partir de década de 1980, é possível verificar o surgimento de uma série de "novos" campos, esboços de disciplinas que, em maior ou menor grau, herdaram os temas e problemáticas das mentalidades. Nesse contexto tem destaque a chamada "Nova História Cultural", cujas principais características são:

 

I. A defesa do conceito de mentalidades.

II. Carlo Guinzburg, Roger Chartier e Edward Thompson são historiadores desta corrente.

III. A preocupação com os sujeitos anônimos, com a cultura e com o cotidiano.

IV. A valorização das práticas sociais e a pluralidade cultural das sociedades.

 

É correto o que se afirma em:


I, II e III apenas.


II e III apenas.


III e IV apenas.


II, III e IV apenas.


I, II, III e IV.

A história das mentalidades, em um determinado momento, passou a virar “moda” nas academias francesas. Tal fato levou essa nomenclatura, “mentalidades”, ao desgaste diante de inúmeras críticas de seus opositores e até mesmo por historiadores “de dentro” dessa linha de pesquisa. Tais críticas se devem principalmente:


Ao surgimento de trabalhos sem preocupação com a questão social.


À decadência teórico-metodológica dos Annales.


Ao surgimento de produções sem sustentação teórica, com finalidade apenas de narrar alguma “curiosidade” do passado.


À impossibilidade de análise dessa categoria.


À despreocupação com a política e, consequentemente, com a ideologia.

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