TEORIA DA LITERATURA: A NARRATIVA


De acordo com a leitura do capítulo indicado para essa quinzena, relacione a segunda coluna de acordo com a primeira:

 

(1)  Plurilíngue 

(2)  Pluriestilístico

(3)  Plurivocal

 

(    ) se constitui na combinação de estilos, de estilizações diversas das múltiplas formas da narrativa oral ou escrita.

(    )  remete a outros discursos como os da filosofia, da moral, da ciência e da política, da economia, da moda, da cultura, da arte e do senso comum.

(    ) uma narrativa que contém variadas formas de expressão e todas são concretamente identificadas, usadas, no espaço social em que o escritor se insere.

 

A sequência CORRETA está em:


2 3 1.
2 1 3.
1 2 3.
3 2 1.
3 1 2.

Durante a leitura do capítulo O gênero romance na perspectiva da cosmovisão carnavalesca, discutimos o conceito de Carnavalização dos textos literários. Qual conceito, de acordo com Bakhtin (1990), é usado para o termo carnavalização, nos textos literários?


Há cenas de escândalos, de comportamento excêntrico, de discursos e declarações inoportunas, ou seja, de diversas violações das normas comportamentais estabelecidas e da etiqueta, incluindo-se a violação do discurso não estão presentes nesse conceito.
É a literatura que guarda uma relação com as tradições dos gêneros do cômico-sério por conservarem, “mesmo em nossos dias, o fermento carnavalesco que os distingue de outros gêneros”.
É uma história em que o narrador, personagem ficcional, relata sua própria história.
Narrativa que contém várias formas de expressão e todas são concretamente identificadas e usadas no espaço social em que o escritor se insere.
É um estilo literário satírico. Recebe esse nome pois possui o mesmo modelo utilizado por Menipo de Gadara, filósofo grego que viveu de 349-250 a.C..

Leia atentamente o fragmento a seguir, retirado do texto “A Vida ao Rés-do-Chão”, de autoria de Antônio Cândido e indicado como texto obrigatório do roteiro “O gênero crônica e a perspectiva do narrador-repórter no discurso do cotidiano”.

 

Tudo é vida, tudo é motivo de experiência e reflexão, ou simplesmente de divertimento, de esquecimento momentâneo de nós mesmos a troco do sonho ou da piada que nos transporta ao mundo da imaginação. Para voltarmos mais maduros à vida...

Antônio Cândido

 

Com base no fragmento exposto, e no que você estudou sobre o gênero crônica, é CORRETO afirmar que:


Qualquer coisa que aconteça em qualquer lugar é assunto para se transformar em crônica, exceto as questões ligadas ao texto fictício
Escrever uma crônica é se propor a realizar um sonho, justamente pelo caráter complexo desse gênero. Nesse sentido, a crônica é um gênero que atravessa os séculos como as grandes  narrativas épicas e os grandes romances.
Por não ser um gênero pequeno, a crônica é capaz de elevar o escritor à categoria de gênio da literatura.
A crônica é fruto daquele momento do dia-a-dia digno de um flash. Antônio Cândido afirma que por não estar no alto da montanha, mas no simples rés-do-chão, a crônica está mais próxima das pessoas comuns.
Toda crônica nasce de alguma piada que é contada nas rodas sociais. É por isso que Antônio Cândido comparou a crônica com o rés-do-chão.

Manuel Antônio de Almeida apresenta no romance um novo símbolo ou figura da sociedade brasileira. Qual? Assinale a resposta correta:


O proprietário de terras
O estrangeiro
O mulato
O malandro
O compositor popular

Com base na leitura do livro Memórias de um sargento de Milícias, analise as afirmações que seguem:

 

I. Uso da linguagem denotativa.

II. No final do livro, a vida de Leonardo organiza-se, tudo se encaixa satisfatoriamente, mostrando-nos mais claramente a presença do Romantismo no texto.

III. Aparecem diversas explicações sobre a obra na própria obra, o que demonstra o uso da metalinguagem pelo autor.

IV. O foco narrativo é em terceira pessoa, com um narrador onisciente, que interfere no texto, faz observações e busca contato com o leitor (tentativa de diálogo). Existe dinamismo e ação em todo o decorrer da história.

V. Ao final da obra, o que impera é a ordem sobre a desordem, fechando-se o processo de carnavalização. Forma-se, no todo, um grande painel do Rio de Janeiro na época enfocada. A crítica social pode ser sentida no desen¬volvimento da trama.

 

São corretas as afirmações contidas em:


I, II, III, V.
I, II, III, IV.
I, III, IV, V.
II, III, IV, V.
I, II, IV, V.

Com base em seus estudos do capítulo “Crônica: retratos do cotidiano”, assinale a alternativa que melhor representa a diferença entre a crônica e a notícia:


Diferente da crônica, a notícia não tem preocupação com as verdades do cotidiano da cidade, apenas com notícias sensacionalistas do mundo dos famosos.
A notícia relata os acontecimentos de forma seca, o autor escreve os fatos de forma distanciada; já a crônica busca analisar os fatos, dá-lhes um tom emocional, menos formal.
Não há diferenças entre a notícia e a crônica, ambas retratam a realidade em que seu autor está inserido, de forma clara, objetiva, direta.
A notícia narra fatos reais do cotidiano; já a crônica não se preocupa com o cotidiano, escreve sobre o  fantástico, imaginário.
A crônica relata os acontecimentos de forma seca, o cronista escreve os fatos de forma distanciada; já a notícia busca analisar os fatos, dá-lhes um tom emocional, menos formal.

A abertura de "Memórias Sentimentais de João Miramar" de Oswald de Andrade se faz com um texto, cujo título é À Guisa do Prefácio. Relacionando prefácio e obra, assinale a alternativa INCORRETA:

 


O prefácio modela o romance, segundo os padrões reinantes na prosa acadêmica brasileira.
O prefácio revela o romance como renovação da prosa literária brasileira através de um estilo fragmentário e sintético.
O autor do romance, João Miramar-Oswald, intensifica a crítica à literatura beletrista, já anunciada nas entrelinhas do prefácio.
O pseudo-autor do prefácio, Machado Penumbra, converte-se em personagem, adentrando o romance como "orador ilustre escritor".
O estilo do prefácio é empolado e recheado de clichês, contrastando com o estilo do resto do romance.

Leia o conto a seguir:

 

Uma Galinha

Clarice Lispector

Era uma galinha de domingo. Ainda viva porque não passava de nove horas da manhã.

Parecia calma. Desde sábado encolhera-se num canto da cozinha. Não olhava para ninguém, ninguém olhava para ela. Mesmo quando a escolheram, apalpando sua intimidade com indiferença, não souberam dizer se era gorda ou magra. Nunca se adivinharia nela um anseio. 

Foi pois uma surpresa quando a viram abrir as asas de curto vôo, inchar o peito e, em dois ou três lances, alcançar a murada do terraço. Um instante ainda vacilou — o tempo da cozinheira dar um grito — e em breve estava no terraço do vizinho, de onde, em outro vôo desajeitado, alcançou um telhado. Lá ficou em adorno deslocado, hesitando ora num, ora noutro pé. A família foi chamada com urgência e consternada viu o almoço junto de uma chaminé. O dono da casa, lembrando-se da dupla necessidade de fazer esporadicamente algum esporte e de almoçar, vestiu radiante um calção de banho e resolveu seguir o itinerário da galinha: em pulos cautelosos alcançou o telhado onde esta, hesitante e trêmula, escolhia com urgência outro rumo. A perseguição tornou-se mais intensa. De telhado a telhado foi percorrido mais de um quarteirão da rua. Pouco afeita a uma luta mais selvagem pela vida, a galinha tinha que decidir por si mesma os caminhos a tomar, sem nenhum auxílio de sua raça. O rapaz, porém, era um caçador adormecido. E por mais ínfima que fosse a presa o grito de conquista havia soado.

Sozinha no mundo, sem pai nem mãe, ela corria, arfava, muda, concentrada. Às vezes, na fuga, pairava ofegante num beiral de telhado e enquanto o rapaz galgava outros com dificuldade tinha tempo de se refazer por um momento. E então parecia tão livre.

Estúpida, tímida e livre. Não vitoriosa como seria um galo em fuga. Que é que havia nas suas vísceras que fazia dela um ser? A galinha é um ser. É verdade que não se pode­ria contar com ela para nada. Nem ela própria contava consigo, como o galo crê na sua crista. Sua única vantagem é que havia tantas galinhas que morrendo uma surgiria no mesmo instante outra tão igual como se fora a mesma. 

Afinal, numa das vezes em que parou para gozar sua fuga, o rapaz alcançou-a. Entre gritos e penas, ela foi presa. Em seguida carregada em triunfo por uma asa através das telhas e pousada no chão da cozinha com certa violência. Ainda tonta, sacudiu-se um pouco, em cacarejos roucos e indecisos. Foi então que aconteceu. De pura afobação a galinha pôs um ovo. Surpreendida, exausta. Talvez fosse prematuro. Mas logo depois, nascida que fora para a maternidade, pare­cia uma velha mãe habituada. Sentou-se sobre o ovo e assim ficou, respirando, abotoando e desabotoando os olhos. Seu coração, tão pequeno num prato, solevava e abaixava as penas, enchendo de tepidez aquilo que nunca passaria de um ovo. Só a menina estava perto e assistiu a tudo estarrecida. Mal porém conseguiu desvencilhar-se do acontecimento, despregou-se do chão e saiu aos gritos:

— Mamãe, mamãe, não mate mais a galinha, ela pôs um ovo! ela quer o nosso bem!

Todos correram de novo à cozinha e rodearam mudos a jovem parturiente. Esquentando seu filho, esta não era nem suave nem arisca, nem alegre, nem triste, não era nada, era uma galinha. O que não sugeria nenhum sentimento especial. O pai, a mãe e a filha olhavam já há algum tempo, sem propriamente um pensamento qualquer. Nunca ninguém acariciou uma cabeça de galinha. O pai afinal decidiu-se com certa brusquidão:

— Se você mandar matar esta galinha nunca mais comerei galinha na minha vida!

— Eu também! jurou a menina com ardor. A mãe, cansada, deu de ombros.

Inconsciente da vida que lhe fora entregue, a galinha passou a morar com a família. A menina, de volta do colégio, jogava a pasta longe sem interromper a corrida para a cozinha. O pai de vez em quando ainda se lembrava: "E dizer que a obriguei a correr naquele estado!" A galinha tornara-se a rainha da casa. Todos, menos ela, o sabiam. Continuou entre a cozinha e o terraço dos fundos, usando suas duas capacidades: a de apatia e a do sobressalto.

Mas quando todos estavam quietos na casa e pareciam tê-la esquecido, enchia-se de uma pequena coragem, resquícios da grande fuga — e circulava pelo ladrilho, o corpo avançando atrás da cabeça, pausado como num campo, embora a pequena cabeça a traísse: mexendo-se rápida e vibrátil, com o velho susto de sua espécie já mecanizado.

Uma vez ou outra, sempre mais raramente, lembrava de novo a galinha que se recortara contra o ar à beira do telhado, prestes a anunciar. Nesses momentos enchia os pulmões com o ar impuro da cozinha e, se fosse dado às fêmeas cantar, ela não cantaria mas ficaria muito mais contente. Embora nem nesses instantes a expressão de sua vazia cabeça se alterasse. Na fuga, no descanso, quando deu à luz ou bicando milho — era uma cabeça de galinha, a mesma que fora desenhada no começo dos séculos.

Até que um dia mataram-na, comeram-na e passaram-se anos.

Com base nos elementos estruturais do conto, analise as afirmações que seguem:

 

I- Apresentação: “Era uma galinha de domingo. Ainda viva porque não passava de nove horas da manhã”.

II- Complicação: a fuga, a perseguição e o ato de pôr e chocar o ovo.

III- Clímax: momento da decisão de não matar a galinha.

IV- Desfecho: “Uma vez ou outra, sempre mais raramente, lembrava de novo a galinha que se recortara contra o ar à beira do telhado, prestes a anunciar”

Estão CORRETAS as divisões em:


I, II, III.
I, II, III, IV.
I, II, IV.
II, III, IV.
I, III, IV.

Leia o texto a seguir:

Poema tirado de uma notícia de jornal

Manuel Bandeira
 

João Gostoso era carregador de feira livre e morava no morro da Babilônia num barracão sem número
Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro
Bebeu
Cantou
Dançou
Depois se atirou na lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.

 

Com base na leitura do texto, analise as afirmações que seguem:

 

I- É um poema narrativo, em que o eu lírico se transforma em uma informação jornalística e rotineira de suicídio.

II- A narração em 3ª pessoa é neutra, imparcial e objetiva confrontando a linguagem poética (versos, ritmos poéticos e musicalidade) com o tom prosaico - uma paródia da linguagem jornalística, denunciando o destino violento de pessoas simples.

III- É uma notícia jornalística, sobre um suicídio na Lagoa Rodrigo de Freitas, publicada no jornal O Dia, do Rio de Janeiro.

IV- O personagem João Gostoso não possui características precisas: sem nome próprio (representa uma alegoria de muitos brasileiros que vivem na marginalidade das grandes cidades brasileiras. “Gostoso” é provavelmente, uma alcunha); sem moradia fixa (“morava no morro da Babilônia num barraco sem número”) e sem emprego definido (“carregador de feira livre”) cumpre seu destino para a morte e transforma-se num anonimato de ocorrência policial, virada do avesso pela indeterminação.

V- A espacialização do poema inicialmente se dá com indeterminação: barraco sem número, no entanto, no morro da Babilônia que pode referir-se ao substantivo, “babilônia” (baderna, a falta de organização) ou ao alto espaço da miséria anônima e até, ironicamente ao famoso Jardim Suspenso.

 

São CORRETAS as afirmações contidas em:

 


I, II, IV, V.
I, II, III, IV.
I, II, III, V.
II, III, IV, V.
I, III, IV,V.

Com base na leitura do conto O tesouro, de Eça de Queirós, relacione a simbologia subentendida nas seguintes palavras:

 

(1) Número 3

(2) Corvos

(3) Cofre

(4) Ferro

(5) Ouro

 

( ) Protege, preserva, permite que o seu conteúdo permaneça intocado ao longo do tempo.

( ) Simboliza a união e o equilíbrio, aparecendo na Santíssima Trindade, etc., sendo recorrente sua presença na literatura e nas artes.

( ) É símbolo de força, resistência.

( ) São entendidos como sinal de morte.

( ) Símbolo de riqueza, luxo e ostentação.

 

A sequência CORRETA é:


2, 5, 1, 4, 3
1, 5, 2, 3, 4
3, 1, 4, 2, 5
4, 1, 5, 3, 2
5, 2, 1, 4, 3
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