TEORIA DA LITERATURA: A NARRATIVA


Para responder a esta questão, leia atentamente o fragmento a seguir, retirado do texto “A Última Crônica”, de Fernando Sabino.

 

A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever. A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar com êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico. Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante de esquina, quer nas palavras de uma criança ou num acidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: "assim eu quereria o meu último poema". Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então um último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem uma crônica.  (SABINO, Fernando.  A companheira de viagem. São Paulo: Rocord, 1965)

 

No fragmento reproduzido acima, o autor utiliza a metalinguagem para falar sobre o processo de escrita do gênero crônica. Com base nessas informações e nos conhecimentos que você construiu por meio do roteiro “O gênero crônica e a perspectiva do narrador-repórter no discurso do cotidiano”,  assinale a alternativa que melhor representa qual é a principal característica da crônica no Brasil, no que diz respeito à temática:


a musicalidade dos elementos da natureza


os flashes do cotidiano


lirismo decorrente de aspectos fantásticos


a preocupação com a identidade nacional


a narrativa de fatos históricos

São obras brasileiras contemporâneas que possuem a característica da cosmovisão carnavalesca:


Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna; Helena, de Machado de Assis.


Memórias de um Sargento de Milícias, de Manuel Antônio de Almeida; Dom Quixote, de Miguel de Cervantes.


O grande mentecapto, de Fernando Sabino; Dom Quixote, de Miguel de Cervantes.


Dom Casmurro, de Machado de Assis; Singularidades de uma rapariga loura, de Eça de Queirós.


Memórias de um Sargento de Milícias, de Manuel Antônio de Almeida; Auto da compadecida, de Ariano Suassuna.

Uma campanha alegre, IX

Há muitos anos que a política em Portugal apresenta este singular estado:

Doze ou quinze homens, sempre os mesmos, alternadamente possuem o Poder, perdem o Poder, reconquistam o Poder, trocam o Poder... O Poder não sai duns certos grupos, como uma pela* que quatro crianças, aos quatro cantos de uma sala, atiram umas às outras, pelo ar, num rumor de risos.

Quando quatro ou cinco daqueles homens estão no Poder, esses homens são, segundo a opinião, e os dizeres de todos os outros que lá não estão — os corruptos, os esbanjadores da Fazenda, a ruína do País!

Os outros, os que não estão no Poder, são, segundo a sua própria opinião e os seus jornais — os verdadeiros liberais, os salvadores da causa pública, os amigos do povo, e os interesses do País. Mas, coisa notável! — os cinco que estão no Poder fazem tudo o que podem para continuar a ser os esbanjadores da Fazenda e a ruína do País, durante o maior tempo possível! E os que não estão no Poder movem-se, conspiram, cansam-se, para deixar de ser o mais depressa que puderem — os verdadeiros liberais, e os interesses do País!

Até que enfim caem os cinco do Poder, e os outros, os verdadeiros liberais, entram triunfantemente na designação herdada de esbanjadores da Fazenda e ruína do País; em tanto que os que caíram do Poder se resignam, cheios de fel e de té- dio — a vir a ser os verdadeiros liberais e os interesses do País.

Ora como todos os ministros são tirados deste grupo de doze ou quinze indivíduos, não há nenhum deles que não tenha sido por seu turno esbanjador da Fazenda e ruína do País...

Não há nenhum que não tenha sido demitido, ou obrigado a pedir a demissão, pelas acusações mais graves e pelas vota- ções mais hostis...

Não há nenhum que não tenha sido julgado incapaz de dirigir as coisas públicas — pela Imprensa, pela palavra dos oradores, pelas incriminações da opinião, pela afirmativa constitucional do poder moderador...

E todavia serão estes doze ou quinze indivíduos os que continuarão dirigindo o País, neste caminho em que ele vai, feliz, abundante, rico, forte, coroado de rosas, e num chouto** tão triunfante!

(*) Pela: bola.

(**) Chouto: trote miúdo.

(Eça de Queirós. Obras. Porto: Lello & Irmão-Editores, [s.d.].)


Considere as frases com relação ao que se afirma na crônica de Eça de Queirós:

I. Os que estão no poder não querem sair e os que não estão querem entrar.

II. Quando um partido ético está no poder, tudo fica melhor.

III. Os governantes são bons e éticos, mas vivem a trocar acusações infundadas.

IV. Os políticos que estão fora do poder julgam-se os melhores eticamente para governar.


As frases que representam a opinião do cronista estão contidas apenas em:


II, III e IV.  


I e II.


I, II e III.


I e IV.


I e III.

As afirmações a seguir referem-se à obra "Memórias Sentimentais de João Miramar" de Oswald de Andrade:


 I - A obra representa um dos pontos mais altos de criação do modernismo brasileiro e entra em sintonia com as vanguardas européias do começo do século.
II - A obra faz uso da paródia como recurso literário, o que pode ser observado, por exemplo, nos discursos a cartas transcritas no decorrer do romance.
III - A obra rompe com as regras de pontuação, transgride os esquemas de tradição romanesca e, ao mesmo tempo, reforça os limites entre poesia a prosa.

 

A leitura da obra permite concluir que:

 


as afirmações II e III são corretas.


as afirmações I e III são corretas.


a afirmação III é correta.


a afirmação II é correta.


as afirmações I e II são corretas.

São classificados como epopéias:


Vasco da Gama, Ilíada, Odisséia e Os Lusíadas.


Homero, Ilíada, Odisséia e Macunaíma.


O Uruguai, Ilíada, Odisséia e Os Lusíadas.


O Uruguai, Ilíada, Homero e Os Lusíadas.


 O Uruguai, Macunaíma, Odisséia e Os Lusíadas.

Vítor Manuel de Aguiar e Silva apresenta uma classificação do foco narrativo detalhada e operacional, com base em duplas antitéticas. Analise as afirmações que seguem:

I- Focalização heterodiegética, em que o narrador não é um dos atores da diegese romanesca.

II- Focalização interna é quando o narrador apresenta o que se passa na interioridade das personagens.

III- Focalização onisciente é quando o narrador conhece tudo em relação às personagens e aos eventos.

IV- Focalização interventiva é quando o narrador intervém com comentários.

V- Focalização homodiegética, em que o narrador não é um dos atores da diegese romanesca.

 

São CORRETAS as afirmações contidas em:


I, II, III, IV.


I, II, IV, V.


II,III, IV,V.


I, III, IV, V.


I, II, III, V.

Com base na leitura do conto O tesouro, de Eça de Queirós, podemos inferir que:


O tesouro simboliza o amor que temos com nossos familiares, ou seja, são nossos maiores tesouros.


O autor mostra que é mais importante vivermos em harmonia com as pessoas que amamos do que valorizarmos os tesouros.


O autor reflete sobre a natureza humana e a sua relação com a riqueza material.


A relação fraternal entre os amigos supera qualquer obstáculo.


O conto analisa a importância das relações materiais em detrimento ao dinheiro.

Qual conceito, de acordo com Bakhtin (1990), é usado para o termo carnavalização, nos textos literários?


É um estilo literário satírico. Recebe esse nome pois possuem o mesmo modelo utilizado por Menipo de Gadara, filósofo grego que viveu de 349-250 a.C..


As cenas de escândalos, de comportamento excêntrico, de discursos e declarações inoportunas, ou seja, de diversas violações das normas comportamentais estabelecidas e da etiqueta, incluindo-se a violação do discurso não estão presentes nesse conceito.


Narrativa que contém várias formas de expressão e todas são concretamente identificadas e usadas no espaço social em que o escritor se insere.


Carnavalizada é a literatura que guarda uma relação com as tradições dos gêneros do cômico-sério por conservarem, “mesmo em nossos dias, o fermento carnavalesco que os distingue de outros gêneros”.


É uma história em que o narrador, personagem ficcional, relata sua própria história.

Após estudar o capítulo O gênero romance na perspectiva da cosmovisão carnavalesca, leia e analise as afirmações que seguem:

 

I- O uso social e o reconhecimento de um texto não o identifica como gênero.

II- É somente pelo uso que um tipo de escrita se consagra em determinado tempo, em determinado espaço social.

III- Os textos autobiográficos, ainda que se modifiquem com o tempo, guardam traços que nos permitem identificá-los em suas variantes, em diferentes épocas e situações.

IV- Os gêneros de “escrita do eu” (a autobiografia, por exemplo) sofrem uma série de transformações na Modernidade.

V- O caráter íntimo e pessoal do sujeito vai se acentuando à medida que a vida privada vai se desagregando do aspecto exterior e público do homem (como era na Antiguidade).

 

São corretas as afirmações contidas em:


I, II, III, IV.


I, II, IV, V.


II, III, IV, V.


I, II, III, V.


I, III, IV, V.

Com base na ação do conto “O tesouro”, de Eça de Queirós, analise as afirmações que seguem:

I.  A referência ao "Reino das Astúrias" permite localizar a ação por volta do século IX, já que os árabes invadiram a península ibérica no século VIII (a ocupação iniciou-se em 711 e prolongou-se por vários anos, sem nunca ter sido concluída); por outro lado, no século X encontramos já constituído o Reino de Leão, que sucedeu ao das Astúrias.
II. A ação central inicia-se na noite de domingo e progride durante o dia. À medida que o dia se aproxima a tragédia vai se preparando. Quando tudo termina, com a morte sucessiva dos irmãos, o dia surge (Amanheceu...). 
III. A ação estende-se do inverno à primavera e o seu núcleo central concentra-se num dia, desde a manhã até à noite. A condensação de um tempo da história tão longo (presumivelmente três ou quatro meses) numa narrativa curta (conto) implica a utilização sistemática de sumários ou resumos (processo pelo qual o tempo do discurso é menor do que o tempo da história).
IV. Nos momentos mais significativos da ação (decisão de repartir o tesouro e partilha das chaves, bem como a argumentação de Rui para excluir Guanes da partilha) o tempo do discurso tende para a isocronia (igual duração do tempo da história e do tempo do discurso), sem no entanto a atingir.
V.  É possível também identificar no texto o processo de redução do tempo da história, que é a elipse (eliminação, do discurso, de períodos mais ou menos longos da história). A parte inicial da ação é localizada no inverno (...passavam eles as tardes desse Inverno...) e logo a seguir o narrador remete-nos para a primavera (Ora, na Primavera, por uma silenciosa manhã de domingo...).
VI. Quanto à ordenação dos acontecimentos, percebemos que as ações não seguem uma sequência linear, ou seja, o tempo é psicológico, com vários recuos no tempo, com o narrador abandonando a postura de observador e adotando uma focalização onisciente, para revelar o modo como Guanes tinha planejado o envenenamento dos irmãos, manifestando dessa forma a natureza traiçoeira do seu caráter.  

São CORRETAS as afirmações contidas em:


II, III, V, VI.


II, IV, VI.


III, IV, V, IV.


I, III, IV, V.


I, II, IV, VI.

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